SIEMENS - REVISTA TOOLMAKER

(Español) ¿Están preparadas las empresas Españolas para afrontar la transformación digital hacia la España 4.0?

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JOAN FRANÇÁS, Vice-presidente e Diretor-geral da Siemens Industry Software Espanha e Portugal

“OS SISTEMAS DE CONTROLO E OS PRODUTOS INOVADORES DA SIEMENS AUMENTAM A  PRODUTIVIDADE DA INDÚSTRIA E A SUA COMPETITIVIDADE”
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Joan Francàs, Vice-presidente e Diretor-geral da Siemens Industry Software, recebeu-nos em conjunto com Ludmila Mastromonaco, Marketing Manager da Siemens PLM em Espanha e Portugal no Stand da Siemens na BIEMH.

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 A sigla PLM abarca vários conteúdos: gestão de dados de produto, CAD, CAE… Como podemos transmitir ao público o que é o PLM, com tudo o que este engloba?

PLM é, na perspetiva de Siemens, o compêndio, a base de dados completa de qualquer produto, desde um avião a uma caneta. Num ambiente colaborativo, o engenheiro que começa a desenhar um produto e tem uma ideia, dispõe das ferramentas de CAD, CAM, CAE, etc. Tem todos os dados desse produto, as listas de materiais, etc. e vai acompanhando o produto ao longo da sua vida, desde o design, passando pelo fabrico, até à manutenção. Com total rastreabilidade, de forma que, em qualquer ponto do design, ou do fabrico, é possível recuperar os dados, porque estão em PLM, no caso da Siemens, no Teamcenter.

 O software de gestão do ciclo de vida do produto (PLM) ajuda as empresas a inovar?

O PLM pode ser considerado tanto como uma estratégia de informação como uma estratégia empresarial. Como estratégia de informação, gera uma estrutura de dados coerente mediante a consolidação de sistemas. Como estratégia empresarial, permite às empresas globais trabalhar como uma única equipa no âmbito do design, da produção, do suporte e da retirada de produtos, beneficiando em todos os momentos das práticas recomendadas e da experiência adquirida. Proporciona à sua empresa a capacidade de tomar decisões unificadas e baseadas em informação em cada fase do ciclo de vida do produto.

As soluções de PLM compõem uma plataforma digital unificada para:

  • Otimizar as relações ao longo do ciclo de vida e entre as empresas.
  • Estabelecer um único sistema de registo para oferecer apoio às diferentes necessidades de dados, para que as pessoas adequadas vejam a informação correta no momento oportuno, e no contexto apropriado.
  • Maximizar o valor da vida útil da carteira de produtos da sua empresa.
  • Aumentar as suas receitas brutas graças a processos repetíveis.

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Ultimamente fala-se em “Indústria 4.0″ A Siemens está em linha com este conceito?

Indústria 4.0 é um conceito muito mais amplo, é um conceito que nasceu na Alemanha. O ministério da indústria alemão crê que nos dirigimos para a 4.a revolução industrial, já estamos a vivê-la. Daí o nome 4.0 e envolve várias empresas, empresas industriais muito importantes alemãs, entre elas a Siemens. Prepara-se uma espécie de visão do futuro, qual o rumo desta revolução, o que terá de fazer a indústria, neste caso a alemã, para ajustar o seu modelo de produção ao futuro.

A indústria vai mudar e o processo produtivo mudará radicalmente devido a vários fatores. Mas o principal é que cada vez mais, vamos ter que fabricar produtos de forma mais rápida, mais diversa, em cadeia, tal como fabricávamos anteriormente, mas ajustando essa produção aos gostos dos consumidores, que vão mudar ou que vão ser diferentes, mais variados.

Os gostos dos consumidores influenciam nos processos de produção de algo tão complexo como se fossem veículos, com inúmeras variantes, porque ficas de fora se não fores capaz de dar uma resposta muito rápida. Para produzir em série veículos tão personalizados, é necessário ter no processo de produção a flexibilidade para mudá-lo, para ajustar as linhas de produção às diferentes tiragens de veículos novos. Isto ocorre na indústria automóvel, que é a mais digitalizada e tecnológica, mas em qualquer outro âmbito acontece o mesmo.

Contudo existe outra complexidade. Antes da 4.a revolução industrial, dizia-se que qualquer empresa tinha que fabricar muito e barato. Por exemplo, a “Kodak”, que era a melhor no seu produto, películas para câmaras fotográficas, não foi capaz de adaptar o seu modelo de produção à nova vida que temos: internet, internet em dispositivos, Instagram, redes sociais, etc. Em 2012 a “Kodak” entrou em assembleia de credores e desde 2014 está num processo de restruturação; contudo, surgem fabricantes que não existiam como os fabricantes de óticas para dispositivos móveis.

Na 3.a revolução industrial, mudámos os nossos processos de produção, mas demorámos muito a fazê-lo como aconteceu com a “Kodak”. Agora todo acontece muito mais rapidamente. Por exemplo, o “IPAD” posicionou-se no mercado, em muito poucos anos.

Nós utilizamos a internet há 20 anos. Mas utilizamo-la para as nossas redes sociais, para dados pessoais, Wikipedia, mas não para a indústria. O que acontece agora é que cada vez mais, os produtos (telemóveis, automóveis, robôs, etc.) utilizam a internet. Por exemplo, os sistemas de GPS dos veículos utilizam a internet para se ligarem aos sistemas de localização e irão utilizá-la cada vez mais. Isso gera o que chamamos “big data”, um boom de dados de produto e de indústria que estão na nuvem, na internet.

Tudo isso é o que se chama a “internet das coisas”.

Irá chegar o ponto que os automóveis irão falar entre si. O seu frigorífico irá ligar para o seu telemóvel para dizer que lhe falta leite, sabendo qual o leite que mais lhe agrada e se é celíaco. A sua habitação irá ligar-lhe advertindo-o que irá baixar um grau a temperatura porque a previsão de tempo é de 25 graus ou irá baixar o aquecimento porque esta a gastar demasiado, isso é a “internet das coisas”, porque os aparelhos falam entre si e geram uma nuvem dinâmica de comportamento de consumo. As empresas que queiram ganhar cota de mercado terão que incluir os sistemas de satélite, os sensores de movimento, etc..

A Siemens é líder neste cenário industrial, graças ao desenvolvimento de uma nova geração de soluções que unifica sistemas operativos, automatizando plataformas produtivas e permitindo otimizar, assim, os processos de fabrico. As soluções de software e TI, os sistemas de controlo e os produtos inovadores da Siemens aumentam a produtividade da indústria e a sua competitividade, ao mesmo tempo que reduzem significativamente os custos e flexibilizam os recursos.

Aplicando esta teoria ao desenho industrial, podemos prever o que se denomina por MBE (Model Based Engineering), ou seja, os antigos planos 2D tenderão a desaparecer e surgirão no ficheiro 3D todos os dados necessários?

Isso já não faz parte do futuro, mas do presente. De facto, na Siemens, a imagem que temos da digitalização do processo produtivo, é a fábrica sem papéis. Uma das vantagens que as nossas soluções apresentam é que tentamos que sejam plataformas abertas, em dois sentidos:

que sejam tecnologicamente modulares: que seja possível construir com base em 1 módulo existente.

que seja possível trabalhar com ficheiros e dados dos nossos concorrentes.

Por exemplo, em Espanha, na indústria automóvel, temos tido um grande sucesso com o nosso PLM, TeamCenter. Quatro dos cinco grandes fornecedores utilizam-no e trabalham para todos os fabricantes, alguns dos quais continuam a utilizar o CATIA, e podemos integrar os dados com o NX sem qualquer tipo de problema.

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A nível formativo em termos de software dentro dos institutos e universidades, que resposta se obtém das administrações em Espanha e Portugal?

Temos uma estratégia educacional que se baseia na colaboração entre a empresa, a universidade e os centros de

formação.

Em Portugal temos uma academia Siemens no Instituto Politécnico de Leiria; com o Ministério da Educação e com o da Economia, temos um acordo celebrado para que o Solid Edge, um dos nossos produtos de desenho, seja a referência no que denominamos “o desenho português”.

Em Espanha é mais difícil porque existem 17 regiões autónomas, cada uma com a sua gestão individual. Temos um acordo a nível institucional em Euskadi, com o anterior governo basco, também com o Solid Edge e com os centros de formação profissional (Tekniker). O que fazemos é fornecer as ferramentas de desenho a todos esses centros. Temos acordos com universidades, não com todas, mas sim com algumas estrategicamente selecionadas, por exemplo, a faculdade de engenheiros de Barcelona (UPC), a de Valencia, a de Madrid, entre outras.

 Quando uma empresa decide utilizar os sistemas da Siemens no gabinete técnico e no departamento de produção, que curva de aprendizagem têm estes programas?

De facto depende de cada empresa e do respetivo nível de formação. Tentamos transmitir aos clientes que o mais prático é que comecem pouco a pouco. Com um primeiro projeto que pode ser a gestão do CAD. Ter os dados de desenho do produto no PLM e, a partir daí, poder modificar a lista de materiais, os dados do produto, etc. Depois de preparado o gabinete técnico com a tecnologia da Siemens, pode passar-se à fábrica. Para este passo é necessário dar relativamente pouca formação aos operários. Despendemos bastante esforço para que as interfaces de utilizador sejam agradáveis. Em pouco tempo, é possível pôr em produção um sistema PLM da Siemens. Naturalmente, depende da estrutura da empresa. Uma estrutura mais complexa leva mais tempo mas, de acordo com a nossa experiência, nas PME espanholas, a implementação é rápida.

Tento transmitir um sentido de urgência e não de emergência em cada uma das empresas espanholas que visito, no sentido daquilo que pretendem ser, dizendo-lhes que têm que tomar as suas decisões, que devem investir na tecnologia ou não serão produtivas.

 A Siemens avança anualmente com novas tecnologias. Quais as linhas de evolução atuais?

A Siemens deu um passo em frente no mundo da digitalização. Para enfrentar o desafio da “Indústria 4.0″, nos últimos anos adquiriu empresas no setor do software.

A estratégia de futuro é ir continuando com mais aquisições e com soluções próprias, investindo em l+D+l em benefício dos nossos clientes atuais e futuros, dotando a indústria espanhola e do resto do mundo com a capacidade de digitalização do seu processo produtivo e, assim, tornando-as mais produtivas e competitivas, naquilo que é conhecido como a 4.a revolução industrial.

Temos a capacidade, a tecnologia, a ideia e o plano perfeitos para ajudarmos as empresas a dar esse passo, desde o desenho até ao fabrico.