3DeCAD Revista TOOLMAKER Nº 1

Entrevista a Alberto Fernández e Enrique Pérez de 3deCAD

A Soluciones Técnicas en CAD “3deCAD” é uma engenharia com mais de 15 anos, que conta com uma equipa de profissionais com mais de 20 anos de demonstrada experiência no mundo do molde, do desenho 2D e 3D, programação CAM e maquinação técnica. O seu principal objetivo é fornecer soluções técnicas para os setores industrial/ injeção/ moldes.

O desenho do molde é um trabalho à medida ou pode ser standardizado?

O desenho de moldes continua, num 70%, a ser um trabalho à medida. Grande parte de cada projeto que encaramos está sujeita a um conjunto de condições, diferentes para cada fabricante de moldes, oficina de injeção e cliente final. Até que os diferentes critérios sejam unificados não se poderão reduzir estas percentagens e standardizar uma percentagem maior.

No processo de realização de um projeto confluem grandes quantidades de desenvolvimentos que continuam sem estar vinculados entre si. Quem desenvolve a peça final muitas vezes não conhece as diferentes dificuldades para a modelagem. Quem desenha o molde muitas vezes não conhece os diferentes métodos de fabrico e quem fabrica muitas vezes fica sem tempo material para chegar ao prazo exigido, que já expirou.

Ainda nos falta muito caminho por percorrer até um desenho do molde 100% standardizado, mas não é uma utopia.

A exportação é um trunfo importante ou pesa mais o mercado nacional?

A nossa opinião sobre esta pergunta não pode ser mais do que parcial. A política da empresa está muito definida quanto a prioridades. A exportação é importante, interessante e muito atraente mas a prioridade continua a ser cuidar o mercado nacional. Acreditamos que em qualquer negócio a fidelidade é um valor intangível com um peso enorme.

Relativamente ao setor no seu conjunto, pensamos que efetivamente há uma linha para a procura da exportação. O México neste momento é um caramelo muito apetitoso que devemos aproveitar. A língua em comum é uma vantagem que devemos aproveitar.

Quem é o cliente do desenhor de moldes, uma PME ou as grandes corporações?

Sem dúvida que os clientes maioritários do desenhador de moldes são as PME’s. Absorvemos os picos de trabalho e damos reatividade no cumprimento de prazos e soluções.

As grandes corporações hoje em dia só se guiam pelo que ditam os mercados, o tecido empresarial de outrora em torno ao produto desapareceu quase completamente.

Maquinação, desenhadores, conhecimentos, software, fornecedores especializados, normativas, apoio institucional ao setor…. Qual é a carência mais notória?

Pensamos que sempre existem carências em todas as etapas de construção do molde, mas, desde o nosso ponto de vista, a mais significativa é a carência de conhecimentos especializados.

Ao agrupar critérios comprovados e aplicá-los sob o lema “Se uma coisa funciona, não lhe toques” como partida evitaríamos a grande variedade de critérios (alguns disparatados).

As diferentes experiências de todas as pessoas que trabalham no mundo do molde é uma base de conhecimeno atualmente dispersa. Cada empresa tem o seu caderno e o seu mestre desprezando muitas vezes os critérios simplesmente por hábito.

Como encaixa o setor na denominada indústria 4.0?

A indústria 4.0 (é o que conhecemos como internet industrial das coisas) é sem dúvida um caminho apetitoso para o qual olhar. Substituir os antigos diagramas de Gantt para realizar o seguimento de todos os processos por ligações simultâneas em tempo real com todos os fornecedores implicados na construção do molde. Dá-nos a possibilidade de uma reatividade nunca antes vista. Dá-nos a possibilidade de controlar em todo o seu conjunto a vida de todo o processo. A teoria é muito atraente, mas, hoje em dia, ainda há muito caminho a percorrer para que todas estas novas plataformas convirjam num “processo universal” e definido.

Desde o vosso ponto de vista, quais são as possíveis soluções e a previsão de futuro. A grandes rasgos a visão do setor para onde vai.

Na nossa opinião, o setor mais do que ir, volta. Volta por um caminho paralelo àquele por onde tinha ido.

Muitos cliente que tinha ido à procura de preços em mercados emergentes estão de regresso. Não nos corresponde a nós analisar as causas, mas suspeitamos que a proximidade, o cuidado ao cliente junto com reatividade proporcionada pelo mercado nacional é incomparável.

É por isso que o constante aumento de projetos que já fica totalmente em Espanha-Europa se tem vindo a incrementar.

Os mas… os que se tinham ido embora, trazem os preços e os prazos desses mercados, que atualmente o nosso setor não pode assimir, mesmo tendo “comprimido” custos e pessoal durante o período de crise.

Somos mais competitivos, mais rápidos e melhores, mas ainda temos de retroceder muito para poder trabalhar a esses preços.

www.3decad.com