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Entrevista com João Faustino, presidente da CEFAMOL e presidente da TJ Moldes

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Durante a Semana de Moldes de 2018, a redação da ToolMaker teve a honra de visitar as instalações da empresa TJ Moldes na Marinha Grande. João Faustino fundou esta empresa em 1995 e hoje preside um grupo de empresas com quatro fábricas em Portugal e outra mais localizada em Marrocos. Além disso, em 2019, eles abrirão uma nova sede no México e já terão 160 funcionários.

João Faustino é também presidente da direção da CEFAMOL, associação da indústria de moldes portuguesa. Com ele, falamos sobre os desafios do setor, como a concorrência com a Ásia e os novos modelos automotivos.

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“Neste momento temos uma indústria tecnologicamente avançada, fruto dos investimentos dos últimos anos em novas máquinas e em novos processos de trabalho, mas, ao mesmo tempo, assistimos a uma ligeira diminuição das encomendas. Em Portugal, na Alemanha, na Holanda… é um fenómeno global porquê neste momento levantam-se algumas questões relacionadas com a indústria automóvel. Por um lado, a concorrência chinesa no fabrico de moldes para este setor, por outro a quantidade de veículos em desenvolvimento.

A indústria automóvel está a repensar o seu futuro, que pode passar por construir veículos híbridos, híbridos e elétricos, apenas elétricos, a diesel, enfim, existem vários fatores que condicionam este mercado.

Esperamos que no próximo ano, com os novos modelos que estão a ser desenvolvidos, eles possam voltar a subir. Mas sabemos que não vão voltar aos valores de antigamente, daí estarmos a apostar na atualização tecnológica, de forma a aumentarmos a produtividade.”

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Em que tipo de tecnologias é necessário investir?

“Precisamos de mais equipamentos de paletização, de robôs que façam a comunicação entre as máquinas, de equipamentos que nos permitam diminuir o tempo de setup e de máquinas que trabalhem cada vez mais horas sem operador.”

Como é que a indústria portuguesa de moldes enfrenta os desafios atuais da baixa de preços e da concorrência por parte dos países asiáticos?

“Com muito trabalho diário. E, ao mesmo tempo, com a otimização de processos. Temos neste momento acordos com várias universidades portuguesas para nos ajudarem a desenvolver o processo produtivo (maquinação, assemblagem, etc.). O nosso objetivo é reduzir o tempo necessário para produzir um molde e, assim, ter preços mais competitivos. Mas, de facto, a China é neste momento um grande concorrente.”

É esperado um record de vendas da indústria de moldes portuguesa para este ano?

“Para este ano ainda não sabemos, é provável que não. No ano passado sim, tivemos o melhor ano de vendas de sempre. Mas este ano, pelas razões de que falámos antes, houve um arrefecimento a nível mundial.”

Tem sido feito um esforço para reduzir a dependência do setor automóvel?

“Sim, é verdade que hoje temos uma dependência de cerca de 80% da indústria automóvel. Nos últimos anos temos tentado trabalhar mais para os dispositivos médicos, para a embalagem, para o setor elétrico e eletrónico, etc., mas até agora não temos conseguido fixar estes mercados como gostaríamos. Claro que as vendas para estes setores aumentaram. Nos últimos 6/7 anos a indústria de moldes portuguesa teve um aumento de 100% nas suas vendas e estes mercados também estão incluídos nestas contas. Mas, mesmo assim, o peso da indústria automóvel continua a ser muito maior.”

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Uma delegação de empresários japoneses participou da Semana de Molde. Pode falar-nos sobre os acordos de cooperação que o CEFAMOL está a estabelecer com alguns países como o Japão?

“No caso do Japão, temos um acordo de intercâmbio com a cidade e a Universidade de Nagano. No Japão o processo de produção de moldes é diferente do nosso, além disso, algumas das tecnologias e dos processos de trabalho mais inovadores nesta indústria nasceram no Japão. O nosso objetivo é aprender com eles.

Durante a Semana de Moldes tivemos uma reunião com uma delegação japonesa e a nossa intenção é a de estabelecer um intercâmbio de estudantes e de trabalhadores. Esperamos, desta forma, aprender e cooperar com eles, de forma a otimizarmos o trabalho nas empresas.

Mas também temos este tipo de acordo com outros países, como por exemplo o México. Há dois anos estabelecemos um acordo com um centro técnico de formação mexicano, congénere do Centimfe, e hoje temos cinco empresas portuguesas a investir no país, em cooperação com este centro tecnológico.”

Porquê o México?

“O México para nós representa um grande mercado: tem pouquíssimos moldistas, precisa de muitos moldes e precisa de mão de obra qualificada. Neste momento temos 14 trabalhadores mexicanos a receber formação em Portugal para começarem a trabalhar lá em fevereiro do próximo ano.

Os números da produção automóvel no México são muito bons e nos próximos tempos alguns fabricantes como a BMW, a Audi ou a Ford vão construir lá novas fábricas. Além disso, é uma porta de entrada para os Estados Unidos. Há alguns meses, o Presidente Trump acabou com o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), mas, entretanto, os três países (EUA, México e Canadá) chegaram a um novo acordo.”

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Que posição ocupam os moldes portugueses no mercado europeus?

“Os países europeus para onde mais exportamos são Espanha, França e Alemanha. Estes três países representam entre 60 e 70% das nossas exportações. Para nós estes mercados são muito importantes e têm a grande vantagem da proximidade. Podemos ir a qualquer um destes países e voltar no mesmo dia. Mas, claro, também tentamos explorar novos mercados. Por exemplo, em novembro teremos uma missão comercial à Indonésia porque é um país com potencial, talvez não para já, mas quem sabe para o futuro. Fazemos este tipo de trabalho com vários países.”

E quanto ao mercado interno?

“O mercado português é muito importante para nós, mas tem pouco significado. Talvez represente 5% das vendas.”

Houve uma aproximação entre as indústrias de plásticos e moldes nos últimos anos?

“Sim, nos últimos anos alguns fabricantes de moldes construíram fábricas para o processamento de plásticos cada vez mais fabricantes de plásticos compram os seus moldes em Portugal.

Essa aproximação também se reflete nas associações dos dois setores. A APIP e a Cefamol estão a trabalhar juntas, ambas fazem parte do cluster Engeneering and Tooling from Portugal, tal como o Centimfe e a Incubadora Open. Precisamos desta colaboração. Precisamos de trabalhar em conjunto, partilhar conhecimento e testar novas ideias para o desenvolvimento do estado da arte.”